segunda-feira, janeiro 26, 2015

Sick sad little world

Não ando bem. Manco na alegria e tombo diante da menor dificuldade. Tenho vivido um misto de coisas boas com coisas tão desagradáveis que julgo não haver tanta coisa boa assim me esperando facilmente como imaginava. "Há mais para regozijar que para lamentar" foi algo que li num momento complicado da minha vida que me me ajudou a olhar para mim de uma forma mais amorosa, mas hoje acho que me olhar assim vai me atrapalhar ainda mais. Não me vejo como uma profissional boa, boa mulher ou boa qualquer coisa. Tenho vivido numa mediocridade sem tamanho, e por um bom tempo curti essa inércia com grande prazer. Mas, eis que chega a hora de colocar um ponto final nessa preguiça de lutar por dias melhores. Tirar força de não sei onde para me reerguer e reencontrar o sentido de viver.


segunda-feira, julho 29, 2013

Memória


Memória

Amar o perdido

deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, junho 23, 2013

"Não te acorrentes ao que não vai voltar" V.A.

"A separação pode ser o ato de absoluta e radical união, a ligação para a eternidade de dois seres que um dia se amaram demasiado para poderem amar-se de outra maneira, pequena e mansa, quase vegetal".

Inês Pedrosa 

I'm been trying hard not to get into trouble

Gostaria de te chamar pra sair, conversar, tomar algo. Dividir ainda alguns instantes da vida ao teu lado, fazer de conta que já vivemos os últimos. Não consegui ainda digerir a última conversa, eu vinha tentando ainda digerir o que vivia ao teu lado. Foi tudo rápido, eu sei, mas acho que aquela era uma tentativa de não estragar tudo e te perder como todos os meus flertes. Queria de alguma forma conter, enquadrar, prender você, o que sabia que poderíamos vir a ter. Acho que 45% do meu sofrimento é drama, 50% recalque, mas 5% são de puro e genuíno sofrimento por saber que acabo de perder o que eu inutilmente imaginava ter.
Minha vontade nesse momento é de apagar tudo, voltar ao momento em que eu quis você e aí não mais pensar em você como eu penso agora. Claro que isso também apagaria da minha memória os bons momentos, alegrias e prazeres que tive contigo, mas acho que pensar nisso tem sido tão doloroso que prefiro ignorar que já tive esses momentos. Em alguns momentos penso em como você foi cruel comigo, quero te culpar por isso e por tudo de ruim no mundo. Tudo em vão, tudo mentira. Terá sido mentira e em vão tudo o que vivemos? Ou terá sido
 apenas uma brincadeira do destino em me fazer acreditar que já estava pronta para amar novamente?
Eu me sinto envergonhada, humilhada, boba e feia. Eu acreditei, eu caí numa armadilha e ainda estou esperando você vir e me dizer que é tudo uma brincadeira, que você me ama e tem tanto medo de me perder que preferiu dizer que não me queria mais. Eu ainda te quero.

E.

sábado, junho 22, 2013

"Eu só posso dizer obrigado. Você me deu momentos cuja lembrança vai me aquecer nas noites frias e escuras. Sempre.”

Você nunca vai ficar sozinho


Eles estavam ouvindo You Will Never Walk Alone no apartamento bagunçado de Pedro. Cristina não conhecia a canção. Pedro lhe contara que era uma espécie de hino do Liverpool. Pedro era fanático pelo Liverpool, embora jamais tivesse visto um único jogo do time ao vivo. Foi ao ouvir na teve a torcida cantar You Will Never Walk Alone que Pedro se converteu num torcedor distante um oceano do Liverpool, mas apaixonado. Nunca Pedro vira nada parecido com aquilo no futebol, um canto de amor e fidelidade sublime em seu estrondo vermelho, a cor do Liverpool. Foi instantaneamente capturado pela magia barulhenta da torcida que cantava. Não bastasse isso, Liverpool era a terra daqueles quatro garotos: John, Paul, George e Ringo.
“Não posso morrer sem ir a Liverpool e cantar You Will Never Walk Alone”, disse Pedro.
“Tanto coisa pra fazer na vida e você vem me falar isso?”, disse Cristina. “Homem louco por futebol tem alguma coisa de gay. Não faz sentido ficar olhando tanto homem correr atrás de uma bola a não ser que o cara que olhe seja gay.”
Pedro riu. Sua boca ficava ligeiramente torta quando ele ria. Num momento de amor,  Cristina dissera que era lindo aquele sorriso torto. Num momento de ódio, dissera que era horrível. Era instável como todas as mulheres, amor e ódio pelas mesmas coisas em momentos alternados.
“Gosto de suas frases definitivas”, disse Pedro. “Não são meras palavras ao vento. São manifestos.”
“Pedro.”
“Humm.”
“Isso não existe. You Will Never Walk Alone. Você nunca vai ficar sozinho. Ninguém diz isso de verdade pra pessoa que ama. O amor surge, floresce e termina. Prometer a alguém que ele jamais vai ser deixado é embuste.”
“Engraçado”, disse Pedro. “Quando te conheci passei a acreditar no amor eterno. Uma coisa que só floresce, floresce e ainda floresce. Era ateu no amor e passei a ser crente com você.”
“Pedro.”
“Humm.”
“Eu… Eu…”
Cristina parecia engasgada com aquilo que queria dizer. Começou a chorar. Em sete meses de namoro Pedro jamais a vira chorar. Cristina parecia ter uma resistência extraordinária às lágrimas. Pedro não sabia se a abraçava e tentava confortá-la ou se a deixava em paz com suas lágrimas. Homem nenhum sabe o que fazer diante da mulher que chora. Na dúvida, Pedro permaneceu parado.
“Eu… me apaixonei por outro homem”, Cristina enfim disse. “Me perdoa, me perdoa.”
Só nesse momento Pedro abraçou Cristina. Como se quem tivesse que receber consolo fosse ela e não ele.
“Aconteceu, simplesmente aconteceu. O professor de ioga.”
Cristina dissera a Pedro, algumas semanas antes que ia começar a fazer ioga. Comentara depois com entusiasmo suas aulas. Estava apaixonada não exatamente pela ioga, mas pelo professor.
“Cristina”, disse Pedro. Ele parecia calmo como quem acaba de tomar Frontal. “Te perdoar do que? Eu só posso dizer obrigado. Você me deu momentos cuja lembrança vai me aquecer nas noites frias e escuras. Sempre.”
Ela pegou sua bolsa e correu em direção à porta. Ia embora para não voltar. Pedro ficou pensativo por alguns segundos. Depois pegou seu iPod e pôs para tocar uma, duas, três, dezenas de vezes You Will Never Walk Alone.

De Um homem Sincero
http://fabiohernandez.wordpress.com/2009/05/19/voce-nunca-vai-ficar-sozinho/

domingo, fevereiro 17, 2013

Desamparo

Não acredito que ainda sinto os mesmos sintomas de antes, embora cenários e pessoas tenham mudado. Já queria ser outra, gostaria de não me importar, não sofrer com os fatos da vida, os limites de cada situação. Lembrar do passado sem dor, apenas com boas lembranças. Às vezes tento brincar que sou uma outra pessoa, que sinto apenas coisas boas e as ruins, além de passarem rápido, não me atingem tanto. Queria não acreditar, ou pelo menos aceitar, que não há alguém a quem podemos destinar todos os sentimentos e pensamentos que temos. A vida parece ser feita de uma grande buraco que limita nossas realizações e nos impede de alguma totalidade, claro que isso de alguma forma representa o fim, não ter o que sonhar, buscar, desejar, mas como dói sentir que esse buraco é implacável e nos remete para a condição de reles mortais, pobres humanos.











segunda-feira, fevereiro 11, 2013

"Aprendi a remar como quem voa passarinho a procura do seu canto"

Eu sinto uma grande força que me impulsiona a ir em direção ao desconhecido, ao novo, improvável, sonho impossível.  Quero mudar, mas sinto que tenho amarras e correntes que me impedem de pular de cabeça em várias situações, oportunidades. Minha tendência é observar externamente e querer que as mudanças se deem ao passo de pequenas intervenções estéticas e que a partir daí tudo melhore na minha vida, na forma como eu vejo as pessoas e como as pessoas me vêem. Absurdo, eu sei. Mas é mais fácil imaginar que um cabelo bonito e uma maquiagem bem feita podem ajudar a esconder toda insuficiência e insegurança que carrego comigo. Um celular da moda, um drink bacana, amigos descolados, estar em lugares disputados, tudo isso parece ser muleta para evitar ser quem eu sou e fazer o que eu realmente quero fazer.

Já há algum tempo venho me desligando de muitas coisas e pessoas. Busco me centrar nos meus objetivos profissionais e pessoais ao invés de me deixar levar por toda a onda de frivolidades.
Quero mais, quero ir além, mas muito mais que isso quero aproveitar cada segundo, cada minuto, cada instante.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Depois daquela viagem ....


Foi durante uma viagem, planejada e esperada, que descobri o quanto eu ainda estou viva, o quanto eu mereço faíscas de amor e flamas da paixão. Numa linda cidade, com agradável companhia, fui surpreendida por um desejo incontrolável de curtir, aceitar, deixar rolar e, acima de tudo, sentir.

Esse mergulho era necessário e muito aguardado, como se fosse a esperança de superar o desastre que minha vida sentimental se encontrava. Havia expectativas? Sim, havia, muitas. Mas sem muito exagero. A grande surpresa foi me deparar com alguém tão aberto e tão motivado a curtir bons momentos comigo em ótimo cenário. No começo, assim que o vi, me senti sem jeito, um pouco assustada e sem saber como me comportar. A barreira da língua logo foi transposta, dando lugar a um diálogo sadio e profundo. Eu sentia como se abrisse meu coração e o visse fazendo o mesmo. Sem medo, sem vergonha, apenas estávamos sendo Ele e Elen. Com o passar do tempo, percebi que aquela era uma conexão que começara anos antes, mas que por algum motivo o destino não deixara se romper. Ao descobrir o meu outro, aquele com quem eu convivia e compartilhava meus dias de férias, percebi o quanto aquele contato me fazia bem, me fazia sonhar e acreditar que sentir, viver, experimentar era possível. Era possível superar, lembrar com menos dor do passado, e sim seguir em frente e lutar por mim, por meus interesses e minha vida.

Chegando próximo aos dias derradeiros, fui tomada por estranha vontade de chorar, de acabar com tudo aquilo, de não entregar o pouco que ainda resistia. Sabia que era em vão, tarde demais. Eu estava completamente envolvida e desejante por algo que me arrebatasse, que me revirasse, que me enlouquecesse. Meu choro era uma prece de que aquilo não acabasse, que ele me consolasse e dissesse que sente o mesmo medo de perder todos aqueles bons momentos, que gostaria que o futuro fosse tão bom e generoso como estava sendo até ali nosso percurso.

O que mais me dói, é que eu vivo, apesar do medo, eu experimento, apesar das advertências, eu tento, apesar das adversidades e sempre acho que vou sair ilesa. Mas nunca saio. Jogo-me, envolvo-me e quando acaba não sei o que fazer com o que restou em mim.

Sei que ainda está tudo recente, que vai passar, que isso que estou sentindo vai sintetizar e virar aprendizagem, sabedoria e experiência, mas até lá dói, e dói muito. Não consigo controlar. Sei que é algo bom, vivi o que tanto queria, entretanto o preço a se pagar é alto e leva tempo para quitar.


Elenístika.